Alerj debate condições de trabalho nos Correios e cobra melhorias para empregados

Audiência pública evidencia precarização e irregularidades enfrentadas pelos trabalhadores dos Correios | Octacílio Barbosa/Alerj

Nesta segunda-feira (25), a Comissão de Trabalho da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) realizou audiência pública para debater problemas recorrentes nas unidades dos Correios. O encontro destacou infrações relacionadas a condições básicas de trabalho, como banheiros inadequados, falta de conforto térmico, locais de refeição precários e atrasos em pagamentos.

Desde janeiro de 2024, a Superintendência Regional do Trabalho e Emprego no Rio de Janeiro (SRTE-RJ) registrou 98 autuações contra a empresa por descumprimento das normas de segurança e conforto.

Precarização atinge trabalhadores e serviços

A deputada Dani Balbi (PCdoB), presidente da Comissão de Trabalho, afirmou que a piora nas condições é consequência da falta de investimento e modernização da estatal.

“Recebemos denúncias de postos insalubres, jornadas inviáveis, unidades degradantes, expostas a calor extremo, ratos, baratas e até sem tratamento de esgoto. Essa precarização impacta não só os trabalhadores, mas também a qualidade dos serviços prestados à população. É nesse contexto que surgem greves e mobilizações. Por isso, realizamos esta audiência para defender e valorizar a categoria”, disse.

Deputada Dani Balbi cobra melhores condições de trabalho para trabalhadores dos Correios do mesmo modo que aponta razão das deficiências

Deputada Dani Balbi cobra melhores condições de trabalho para trabalhadores dos Correios do mesmo modo que aponta razão das deficiências | Octacílio Barbosa/Alerj

Encaminhamentos e propostas da Alerj

Durante a reunião, a Comissão propôs medidas para melhorar a fiscalização e proteção dos empregados:

  • envio de minuta de resoluções ao Ministério do Trabalho com calendário de fiscalização,

  • aprimoramento da comunicação para acolhimento de denúncias,

  • reconhecimento do direito de greve aos trabalhadores,

  • ofício ao Ministério Público Federal sobre ações judiciais ligadas a salários, férias e planos de saúde,

  • solicitação de refinanciamento das dívidas dos Correios à Presidência da República.

Fiscalização e segurança no trabalho

Ana Horcades, chefe da Seção de Segurança e Saúde da SRTE-RJ, reforçou que a fiscalização é técnica e legal, com o objetivo de preservar a essencialidade da empresa e proteger os direitos dos empregados.

“Estamos à disposição para mediar o diálogo entre os trabalhadores e os Correios, garantindo que problemas de infraestrutura, saúde, segurança e condições de trabalho sejam identificados e tratados”, afirmou.

Impacto financeiro e operacional

Sandra Moreiras, presidente da Associação dos Profissionais dos Correios, detalhou problemas administrativos e financeiros. Segundo ela, a empresa registrou prejuízo líquido de R$ 1,7 bilhão e enfrenta dificuldades no repasse de planos de saúde, afetando diretamente os trabalhadores.

“Muitos colegas não têm condições de arcar com plano de saúde ou manter trabalho seguro, e a associação, apesar de seus esforços, não consegue resolver todos os problemas sozinha. É fundamental o apoio das autoridades e da sociedade para garantir condições dignas de trabalho”, explicou.

Correios como patrimônio público estratégico

A deputada Dani Balbi enfatizou a importância da estatal para a comunicação e logística do país.

“A defesa dos Correios é a defesa das empresas públicas. Companhias privadas oferecem serviços precarizados e que colocam em risco os trabalhadores, além de não garantirem a entrega em regiões remotas, como a Amazônia. Os Correios precisam se modernizar com o compromisso de oferecer um serviço de qualidade para toda a população”, afirmou.


Deixe uma resposta