Polícia faz operação em Cabo Frio contra o Comando Vermelho

Polícia Civil faz operação em Cabo Frio contra esquema que apagava mandados de prisão para beneficiar o Comando Vermelho | Fernando Frazão/Agência Brasil
A Polícia Civil deflagrou, na manhã desta quinta-feira (18), uma operação em Cabo Frio contra o Comando Vermelho, com foco na manipulação criminosa de dados públicos para favorecer integrantes da facção. A ação, batizada de Operação Firewall, já resultou na prisão de duas pessoas, conforme informações da corporação.
Policiais civis da 126ª DP (Cabo Frio) cumprem mandados de prisão e de busca e apreensão no estado do Rio de Janeiro, com apoio da Polícia Militar, e também em Minas Gerais, em conjunto com a Polícia Civil mineira. O alvo se trata de um grupo especializado em invadir plataformas informatizadas da administração pública, sobretudo para interferir em registros judiciais.
As investigações tiveram início em julho deste ano, após equipes da delegacia identificarem que criminosos ofereciam a retirada de mandados de prisão do sistema do Tribunal de Justiça mediante pagamento de R$ 3 mil. O serviço ilegal era direcionado exclusivamente a integrantes do Comando Vermelho.
De acordo com a apuração, os hackers utilizavam VPNs associadas a logins legítimos para acessar o Banco Nacional de Medidas Penais e Prisões (BNMP). Como não conseguiam excluir os mandados, os criminosos alteravam dados essenciais de identificação, impedindo a correta localização das ordens judiciais.
Com isso, quando policiais consultavam o sistema pelo nome verdadeiro do investigado, o mandado não aparecia, criando a falsa impressão de inexistência da ordem de prisão. A prática permitia que foragidos circulassem livremente, mesmo com decisões judiciais em aberto.
Ainda segundo a Polícia Civil, o grupo também atuava por meio de ameaças. Caso não houvesse pagamento, os criminosos afirmavam que emitiriam novos mandados de prisão contra os próprios contratantes, ampliando o ciclo de extorsão.
Rastreamento financeiro levou a conexões em Minas Gerais
Para desmontar o esquema, os investigadores identificaram inicialmente os responsáveis pela divulgação dos anúncios criminosos nas redes sociais. Em seguida, passaram a monitorar o fluxo financeiro, o que levou à descoberta de novos envolvidos.
Nesse processo, os agentes constataram que a namorada de um dos suspeitos cedia sua conta bancária para movimentar o dinheiro obtido ilegalmente. A partir dela, identificou-se um intercâmbio financeiro com criminosos sediados em Minas Gerais, ampliando o alcance interestadual da organização.
O líder do esquema também foi localizado. Segundo a polícia, ele já havia trabalhado em empresas de certificados digitais, o que facilitou o acesso a sistemas sensíveis. Esse homem conseguiu apagar um mandado de prisão da Justiça Federal do Rio de Janeiro e passou a comercializar o serviço ilícito para terceiros.
Ele foi preso em setembro, por agentes da 36ª DP (Santa Cruz), pelos crimes de violação de segredo profissional, associação criminosa e estelionato.
Fraudes envolviam certificados digitais e dados de magistrados
Durante o período em que atuou em empresas do setor, o criminoso realizava quebra de autenticação em duas etapas, decodificação de certificados digitais, manipulação de dados cadastrais de magistrados e até emissão fraudulenta de alvarás judiciais, segundo a corporação.
Até o momento, a investigação indica que não houve participação direta de servidores públicos no esquema. Para a Polícia Civil, esses profissionais foram vítimas de roubo de dados de login e senha, utilizados indevidamente pelos hackers.
As investigações seguem em andamento para identificar outros beneficiários do esquema e possíveis novos integrantes da organização criminosa.
Como saber se clonaram seu certificado digital
A verificação de clonagem de certificado digital está disponível na conta Gov.br. Autoridades, bem como advogados e demais usuários podem verificar se houve violação de sua conta acessando o sistema com login. Em seguida, na área restrita, há uma listade certificados digitais emitidos para o CPF do usuário.
Assim sendo, caso haja a identificação de algum certificado que não solicitado, há indícios de uso indevido. Desse modo, o titular deve comunicar imediatamente os órgãos competentes para adoção das medidas de segurança.
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