Susep revela existência de 449 cooperativas e seguradoras irregulares no Rio

Susep revela existência de 449 cooperativas e seguradoras irregulares no Rio
A Superintendência de Seguros Privados (Susep) revelou que 449 cooperativas e seguradoras de recuperação de veículos roubados atuam sem regulamentação no Estado do Rio de Janeiro. No Brasil, esse número chega a 2.200. Alexandre Chang, presidente da entidade, fez essa revelação durante a oitiva realizada nesta segunda-feira (25/08) pela CPI das Câmeras na Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj). A comissão investiga a implementação e o funcionamento de sistemas de monitoramento em locais públicos.
Regularização em andamento
Segundo Chang, desde janeiro a Susep implementa medidas para enquadrar o setor no mercado formal.
“Estamos no momento de regularização desse mercado. Já temos normativas aprovadas e as associações serão reguladas em um primeiro momento e depois as cooperativas. Entendemos que essa é uma prática que ainda será regulamentada”, afirmou.
Reação dos deputados
Os números surpreenderam os parlamentares, sobretudo o presidente da comissão, deputado Alexandre Knoploch (PL). O parlamentar destacou a falta de fiscalização e a dificuldade de convocar representantes das empresas investigadas.
“Enfrentamos grande dificuldade no envio dos ofícios de convite às empresas. Em diversos casos, os endereços informados divergiam dos registrados na Receita Federal, muitas vezes com o claro intuito de mascarar atividades ilícitas. Esse cenário evidencia que ainda temos um longo caminho de trabalho pela frente. Todos serão convocados já na próxima reunião”, disse Knoploch.
O deputado Alan Lopes (PL) defendeu a quebra de sigilo bancário das cooperativas e associações.
“Essas empresas criaram uma engenharia de subornar e pagar resgates a criminosos. Já identificamos diretores que faturam milhões e, ainda assim, recebem Bolsa Família”, afirmou.
Lopes também questionou o espaço de mercado ocupado. Apenas 17% da população utiliza serviços de proteção veicular, mas 449 empresas atuam no setor somente no Rio.
Empresas investigadas
Das 21 empresas convidadas, apenas cinco compareceram. Em contrapartida, os deputados pediram dados sobre faturamento, número de associados e tributos recolhidos.
A empresa 21 GO informou que cada recuperação de veículo custa R$ 1.800. No entanto, as respostas foram consideradas insuficientes.
“As empresas tentaram esconder informações e dificultar a investigação. Agora, a apuração contará com apoio da Polícia Civil e com a quebra de sigilo”, declarou Knoploch.
Operação Torniquete
O delegado Mauro César da Silva Júnior, titular da Delegacia de Roubos e Furtos de Automóveis (DRFA), apresentou resultados da Operação Torniquete. Ele apontou que seis empresas investigadas movimentaram R$ 11 milhões em dez meses, parte relacionada a pagamentos de resgates.
Segundo o delegado, o valor exigido para devolução dos veículos varia entre 10% e 20% da Tabela Fipe. O pagamento é feito por recuperadoras e, depois, ressarcido por seguradoras, associações e cooperativas.
Paralelo com as milícias
O deputado Luiz Paulo (PSD) alertou para a criação de um poder paralelo, comparando o setor às milícias.
“Quem tem que recuperar carros roubados é a polícia, e de forma gratuita, porque a corporação já é paga com dinheiro público”, afirmou.
O coronel Mário Marcelo Brasil, chefe da Assessoria Parlamentar da PM, destacou o Projeto Sentinela, que identifica pontos estratégicos para uso de 250 mil câmeras instaladas no estado.
“Esse é um projeto de suma importância”, disse.
Próximos passos
A CPI das Câmeras seguirá com oitivas, assim como promete intensificar o cruzamento de informações com a Polícia Civil. A meta, em suma, é identificar o real impacto financeiro das cooperativas e seguradoras e apurar possíveis ligações com organizações criminosas.
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