Ação da Alerj transforma história negra em experiência educativa e interativa

Experiência imersiva transforma aprendizado ao mostrar como a história negra se conecta ao presente
Ação da Alerj transforma história negra em experiência educativa e interativa. Arte e memória se unem em visita teatralizada que celebra heróis negros no Palácio Tiradentes

A celebração do Mês da Consciência Negra ganhou um formato inovador na Assembleia Legislativa do Rio ao transformar o Palácio Tiradentes em um espaço vivo de educação histórica. A proposta nasceu para mostrar por que a memória negra precisa ser visibilizada. Igualmente, revela como a arte pode aproximar o público de personagens decisivos da formação do país. Desse modo, oferta uma experiência que une fruição cultural, reflexão e aprendizado coletivo.

Com esse objetivo, o Parlamento realizou, nesta sexta-feira (28/11), uma visita teatralizada gratuita que conduziu estudantes e visitantes por narrativas de heróis negros que enfrentaram preconceito, romperam barreiras sociais e influenciaram a identidade brasileira. O formato, além de acessível, reforçou a necessidade de reconhecimento histórico, já que muitos desses nomes permanecem invisíveis para grande parte da população.


Corredores transformados em palco e personagens que dialogam com o presente

Ao longo do percurso, seis personagens históricos receberam o público: João Cândido, Antonieta de Barros, Machado de Assis, Timótheo da Costa, José do Patrocínio e Almerinda Gama. A escolha do elenco não foi casual. Cada figura representa um enfrentamento diferente contra o racismo estrutural, e sua presença teatralizada, entre as salas e galerias do Palácio, criou uma narrativa envolvente, que aproximou trajetória individual e luta coletiva.

Ator caracterizado como artista histórico dirige-se aos estudantes no Salão Nobre, aproximando a plateia das vivências e do contexto social das personagens representadas.

Ator caracterizado como artista histórico aproxima a plateia das vivências, bem como do contexto social das personagens representadas. | Alex Ramos/Alerj

A proposta cênica permitiu que os visitantes percebessem como cada personagem enfrentou limitações impostas por estruturas sociais excludentes, além de destacar por que suas contribuições merecem centralidade na história oficial.


Educação antirracista ganha reforço com imersão histórica

O professor de história Maurício de Souza, da Faetec de Niterói, acompanhou a turma e destacou o impacto da atividade no processo pedagógico. Ele afirmou que a visita “superou expectativas” e ajudou alunos a aplicarem, na prática, o que aprendem sobre educação antirracista em sala de aula.

Segundo o professor, a imersão fez com que os estudantes se sentissem “entrando em um túnel do tempo”. Isso facilitou o reconhecimento de personalidades negras. Além disso, reforçou a compreensão sobre como elas ajudaram a construir a identidade brasileira, especialmente no Estado do Rio.

Atores caracterizados posam na escadaria do Palácio: personagens históricos ganham voz na cena e reconstituem episódios centrais da luta negra no Brasil.

Atores caracterizados posam na escadaria do Palácio: personagens históricos reconstituem episódios centrais da luta negra no Brasil | Alex Ramos/Alerj

O estudante Guilherme de Oliveira também avaliou a experiência como transformadora. Para ele, a apresentação teatral evidenciou o racismo estrutural ainda presente no país e chamou atenção para o desconhecimento generalizado sobre figuras negras fundamentais da história. Ele citou o exemplo de Machado de Assis, frequentemente embranquecido em representações populares.

O aluno destacou ainda que a peça esclareceu pontos relevantes sobre a abolição da escravatura. Além disso, mostrou por que pessoas negras seguem encontrando obstáculos para avançar em diversas áreas profissionais.


Cultura e memória se encontram no Palácio Tiradentes

A diretora de Cultura da Alerj, Fernanda Figueiredo, afirmou que a experiência foi concebida para dar voz a heróis e heroínas negras que impactaram diretamente a formação do Estado do Rio e do Parlamento. Ela reforçou que a atividade deverá integrar o calendário anual da Casa, ampliando o acesso do público às narrativas que estruturam a história do país.

Guia conduz grupo de visitantes na entrada do Palácio Tiradentes, contextualizando o roteiro e apontando como a atividade integra educação, cultura e memória.

Guia conduz grupo de visitantes na entrada do Palácio Tiradentes. Ela contextualiza o roteiro, apontando como a atividade, ao mesmo tempo. integra educação, cultura e memória | Alex Ramos/Alerj

A guia Vitória Mello é a responsável pelo roteiro da visita. Ela explicou que o objetivo principal consiste, sobretudo, exaltar protagonistas negros. Eles estão, frequentemente, apagados do imaginário coletivo. Segundo ela, a atividade inclui ainda um recorte sobre os 11 escravizados reconhecidos no Livro dos Heróis e Heroínas do Estado do Rio de Janeiro, ampliando o alcance educativo da ação.

Para Vitória, a teatralização consiste em uma ferramenta essencial, pois aproxima o espectador da história real.  Pincipalmente, permitindo que cada visitante compreenda como e por que essas figuras desempenharam papéis decisivos na construção da sociedade brasileira.

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