Cadastramento de artesãos em Campos busca ampliar visibilidade

O cadastramento de artesãos em Campos está em andamento com o objetivo de revelar a dimensão da atividade e garantir visibilidade a quem transforma matéria-prima em arte. Atualmente, existem 718 registros formais no município, mas a meta é chegar a 5 mil cadastros, número que mostrará com mais precisão a força desse setor.

A iniciativa pretende valorizar o trabalho manual, dar suporte a quem depende dele como fonte de renda e, sobretudo, abrir portas para políticas públicas de incentivo que só se tornam viáveis quando se conhece o tamanho real da categoria.

A importância do registro

O processo de cadastramento funciona como um mapeamento da produção artesanal. Ele não apenas identifica os profissionais, mas cria condições para que esses trabalhadores tenham acesso a capacitações, feiras, editais e linhas de apoio específicas. Cada cadastro representa um ponto de visibilidade em uma rede que costuma viver à margem das estatísticas oficiais.

A artesã Euzi Licasalio, com mais de 20 anos de atuação formalizada, acredita que o reconhecimento só acontece quando o poder público sabe quem está por trás da produção.

“É realmente muito relevante. Pois, através dele, os responsáveis conseguem saber quem está precisando mais de ajuda, e assim fomentar esse artesanato de qualidade que está sendo produzido e às vezes não está sendo reconhecido, por falta de visibilidade.”

Como se cadastrar

Para obter a carteira de artesão, o interessado deve apresentar documentos básicos, como RG, CPF e comprovante de residência em Campos. Também é preciso comprovar a atividade com três peças prontas e um vídeo mostrando a confecção. O registro fotográfico e a assinatura são feitos na hora, durante o atendimento presencial na sede da Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Energia e Inovação, localizada nos altos da Rodoviária Roberto Silveira.

Esse processo funciona como uma chancela que distingue o trabalho artesanal genuíno de simples revendas. Além disso, garante ao artesão a possibilidade de ingressar em programas de apoio que exigem formalização.

Vozes do setor

O gerente de Economia Solidária, Pedro Barcelos, resume a relevância da medida:

“O cadastro é indispensável tanto para nós quanto para o artesão. Ele nos ajuda a identificar a quantidade de artesãos que existem e onde estão localizados. Assim, conseguimos direcionar melhor a política pública. Já para o artesão, é um passo para a profissionalização e a capacitação.”

Mais do que um registro burocrático, o cadastramento serve como ponte para oportunidades de crescimento.

Novas perspectivas

Com o cadastro, os artesãos podem se inscrever em editais de incentivo à cultura e receber apoio em todas as etapas: elaboração de projetos, inscrição, acompanhamento do processo de seleção e até prestação de contas. Essa rede de suporte funciona como um mecanismo de fortalecimento coletivo, pois amplia as chances de cada artesão competir em igualdade com outros segmentos culturais.

O movimento também cria um retrato da diversidade da produção local. Desde trabalhos com fibras naturais até esculturas em madeira. Assim sendo, passa por bordados, cerâmicas e acessórios reciclados. Portanto, conhecer esse universo se torna fundamental. Principalmente,  para pensar ações que valorizem o artesanato como patrimônio cultural e atividade econômica sustentável.

Onde buscar informações

Dúvidas sobre o cadastramento e agendamentos podem ser tirados pelo telefone (22) 99610-1670. O atendimento funciona de segunda a sexta-feira, em horário comercial.

Mais que números

O processo em curso vai além da contagem de artesãos. Ele estabelece , sobretudo, um elo entre o poder público e uma comunidade criativa que resiste com esforço próprio. Logo, ao transformar estatísticas em oportunidades, o cadastramento amplia as chances de reconhecimento. Por fim, garante espaço em políticas de incentivo e fortalece o artesanato como expressão cultural e fonte de renda para milhares de famílias.

Imagens de Rodrigo Silveira

Deixe uma resposta